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Flecha

  • marietamadeira
  • 3 de abr. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 21 de jul. de 2023

de Matilde Campilho

Tinta da China - 2020



Matilde Campilho me deixa sem palavras. Fico cá me perguntando a razão. Talvez seja pela maneira que ela escreve, que me diz muito em poucas palavras. Leio uma frase e fico, mais que qualquer coisa, pensativa. Contemplativa.


Flecha é feito de muitas histórias, algumas têm só uma frase - são histórias que existem ou não naquela frase, são histórias que são um convite à imaginação, e às vezes terminam em si mesmas. Simples assim. Complexo assim. É um livro que pode ser lido muitas vezes, aberto em qualquer página. Um livro cheio de bichos, objetos, lugares. E principalmente um livro cheio de gente.


"Em todo o caso, neste livro, mesmo as pessoas que existem, não existem. E vice-versa: mesmo as que não existem, existem. Na arena das histórias tudo se acende e fica vivo, mas de uma maneira muito particular. A morte, a existir, é momentânea. Já a vida, embora exista sempre, vai mudando a cada novo olhar deitado sobre ela. Quanto ao tempo, esse prodígio que há muitos anos o homem tenta dominar e obviamente não consegue, ele aproxima-se mais da sua essência a cada vez que uma história é segredada. Não importa o quando, não importa o como, não importa o onde. Importa o fôlego que é comum ao vento, ao fogo, à garganta humana: o sussurro das histórias é permanente e liga tudo. A unir os pontos e a atravessá-los está, desde o princípio, a flecha."


Esse é um trecho do prefácio, escrito por ela mesma.


Flecha é um livro à própria sorte.

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“Carmen ajeita um pouco para a direita o abacaxi falso que há mais de duas horas carrega sobre a cabeça.”


“Amélia e Rafael passam uma tarde a brincar com as mãos um do outro, jogando com elas, provocando carpo com metacarpo, falange com falange, desejo com amor, memória com alegria, futuro com passado e presente com presente.”




Publicada em fevereiro de 2022, no Instagram.

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