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O olho mais azul

  • marietamadeira
  • 2 de abr. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 25 de nov. de 2024

de Toni Morrison

tradução de Manoel Pinto Ferreira

Companhia das Letras - 2019



É delicado escrever algo sobre O olho mais azul, de Toni Morrison. É o primeiro livro que leio dessa escritora, e fiquei absolutamente encantada tanto por sua escrita, quanto pela história que ela conta. Um encantamento que tem pouco de alegria - um encantamento triste, já que é uma história tristemente verdadeira, real. E que se repete, infelizmente, ainda hoje.

A menina Pecola era negra e feia. Seu sonho era ter olhos azuis, pedia todos os dias que seus olhos ficassem azuis, para arrancar daqueles que a olhassem o "aah" admirado que ela percebia ser dirigido às meninas brancas de olhos azuis. A pregnância desse desejo nela só faz tornar sua vida ainda mais difícil. E sua vida já era bastante sofrida.

O olho mais azul foi o primeiro romance de Toni Morrison, escrito entre os anos 1962 e 1969, a partir da história de uma colega de escola da escritora. Lançado em 1970, o livro não obteve a acolhida que merecia, obviamente. Como consta no posfácio escrito pela própria Toni Morrison, presente na edição da Companhia das Letras, datado de 1993: "esta é uma história terrível sobre coisas que se preferia ignorar completamente". Por isso mesmo, merece - e deve - ser lido. É terrível, é triste. E é belíssimo.

Recorto um trecho que demonstra o quanto a escritora consegue permear a narrativa (feita por uma criança, colega de Pecola) com críticas preciosas sobre temas como o racismo, a violência, o machismo, e a ditadura da beleza e do amor romântico:

"Além da ideia de amor romântico, foi apresentada a outra - à da beleza física. Provavelmente as ideias mais destrutivas da história do pensamento humano. Ambas se originavam da inveja, prosperavam com a insegurança e acabavam em desilusão. Ao igualar beleza física com virtude, ela despiu a mente, restringiu-a e foi acumulando desprezo por si mesma Esqueceu-se da sensualidade e do simples gostar. Passou a encarar o amor como união possessiva e o romance como a meta do espírito. Para ela, isso seria uma fonte inesgotável de onde ela extrairia as emoções mais destrutivas - enganar o amante e tentar aprisionar o amado, refreando a liberdade de todas as maneiras."


Publicada em janeiro de 2022, no Instagram.


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