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sacada

  • marietamadeira
  • 18 de mar. de 2022
  • 1 min de leitura

Atualizado: 22 de mar. de 2022


Fazia calor, mas vinha alguma brisa do mar. Sentada na varanda do apartamento, eu pensava no que tinha feito. Recapitulava os fatos até chegar naquela cena patética, ridícula.


Eu tinha saído de carro, sabia que voltaria logo, e vinha brigando com meu irmão desde o começo daquele veraneio. Veraneio sem briga não é veraneio. Quando cheguei com o carro na frente do prédio, ele me esperava na sacada. Sacudia o presente que eu tinha ganhado, ameaçava jogar longe. Só pra me enlouquecer, pra me irritar. Fiquei cega, subi de escadas até o sexto andar, correndo, saltando os degraus, entrei como louca no apartamento, cheguei na sacada, me agarrei nos cabelos dele e gritei, gritei, chamei de filho da puta, de cretino, de sei lá mais o quê. E ele ria da minha cara. Os vizinhos saíram, olhando das suas sacadas. Eu queria matar o guri. E a minha mãe queria me matar. Como cheguei nesse ponto? Quem sou eu nessa cena, afinal? Sou uma mulher adulta. Dizem. Isso de ser adulta na verdade parece mais uma miragem.


Talvez seja isso.



dezembro de 2021


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