Toda terça
- marietamadeira
- 18 de mar. de 2022
- 2 min de leitura
Atualizado: 7 de jun. de 2023
de Carola Saavedra
Companhia das Letras - 2007

Conheci a escrita da Carola Saavedra pelo maravilhoso Com armas sonolentas, e seu recém-publicado O mundo desdobrável me arrebatou. Fui então em busca dos seus romances anteriores. Comecei por Toda terça, publicado em 2007. Adorei.
Nele conhecemos Laura, que frequenta seu psicanalista toda terça, no Rio de Janeiro, e que tem um caso com Júlio. Júlio ama Laura, mas quem Laura ama? Conhecemos também Javier, um personagem instigante que mora na Alemanha, na casa de sua namorada Ulrike, que o ama - mas que ele ama? As sessões de análise de Laura se alternam aos pensamentos de Javier, na primeira parte do romance. Na segunda parte, uma outra narradora entra em cena.
"E ficar ali era uma agitação, uma espécie de incômodo. Eu continuava debruçada na janela, incapaz de me virar e olhar para o interior da sala, como se, ao evitar o interior da sala, de certa forma eu deixasse de fazer parte dela. Como se, ao ignorá-la, eu pudesse estar em qualquer lugar que não ali. (...) ,depois o corpo que se vira para o interior da sala, e agora finalmente dentro dela, penso que a sala é um lugar desabitado, que a sala é um lugar aonde se chega pela primeira vez."
Essa sala pode ser como um lugar do eu, onde invariavelmente parecemos voltar, como se chegando pela primeira vez. A escritora mostra que seus personagens sabem pouco de si, cada um a seu modo - e isso os torna interessantes e complexos. Em Toda terça, o que não é dito é tão ou mais importante do que é dito. Como numa sessão de análise, onde o caminho do pensamento é tão importante quanto o que é efetivamente dito. E Laura nos confirma isso. Há muito nas entrelinhas.
E Carola Saavedra arrasa. Muito.
Publicada em outubro de 2021, no Instagram.
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